13 de Nov de 2009

Hoje...

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... não tive sexo.

13 de Ago de 2009

a delícia da morte

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Para quê essa faca

Junto ao meu peito?

Leva o coração, os olhos, a boca,

Tudo isso é teu.

Deixa-me apenas a alma e os dedos,

Para te poder escrever sem que me leias.

E mesmo que não me oiças

E não me leias

E não me sintas senão para me levar aos poucos,

É para viver que te escrevo

E para me matares devagar.

Mata-me.

Todos os dias, mata-me.

8 de Jul de 2009

Suor em lágrimas

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Os olhos transpiram
Nesta noite de calor, presos a ti.
Não são lágrimas, não;
É o suor de te amar,
De arder neste chão contigo.

28 de Jun de 2009

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Que só é a casa,

Sem ninguém a dormir ao lado.

Queria que estivesses aqui,

Mas hoje não é amanhã.

Acaba, Noite.

24 de Jun de 2009

Respirar (espécie de Tanka)

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De que me serve o ar e o nariz,
Se, para respirar,
Prefiro o teu sopro na minha boca?

23 de Jun de 2009

para que é que ainda me dou ao trabalho?

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Às vezes custa. Demasiadas vezes, custa. E não devia. Tudo devia ser simples e fácil. Inspira-se. Expira-se. Repete-se o processo até à exaustão. Tudo tão simples. Abrir os olhos. Inspirar. Fechar os olhos. Expirar. Comer. Beber. Dormir. Viver devia ser fácil. Simples.
Não é.
Gostava que me saísses da cabeça. Gostava de perder a tua imagem, de te apagar do meu corpo que queima ao toque de te imaginar. Gostava de não pensar em ti. É por pensar em ti que gosto de ti. Eu não gosto de ti, só gosto de pensar em ti. E que piada seria, ó deus, que piada seria ver as estrelas contigo, esse sonho meloso e pateta que me persegue de outros tempos, de outro Estranho que já não eu. Que comédia divina seria eu mais tu igual a nós. Que catástrofe planetária, que absurdo da natureza, que delícia de vida seria. Que sonho, o ter-te nos braços. Que pesadelo sonhar com isso. Pára, Estranho. Pára. Inspira. Expira. É isso que é viver. O resto, ela, o sonho dela e o pesadelo do sonho, tudo o mais é prazer. E tu, meu caro Estranho, é mais bolos.

12 de Abr de 2009

...

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a privação prolongada do sono é uma merda. nunca mais é amanhã às três da tarde?! Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz

23 de Mar de 2009

O meu Porto

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Ó Porto, cidade de becos e ruelas, de estradas, caminhos, artérias de paralelo calcado e gasto que nos empurram para o rio. Ó cidade de gritos, despreocupados, grosseiros, talvez, mas genuínos, verdadeiros e humanos. E, ó cidade de prédios-ruínas, calcados e gastos como as estradas, antigos como o tempo e esquecidos como os velhos, áridos e abandonados ou ao abandono. Ó cidade pobre, sem respeito que não para com as suas gentes e para com as gentes que procuram simpatia, que procuram a quem tratar por “freguesa” ou “chefe” e dizemo-lo com sotaque, sim, mas quem o não tem? Ó cidade cinzenta e velha, efervescente de um orgulho mal contido, o que esperas? De que te serve a vergonha, o medo, o querer e não fazer? Quem te vai valer, ó cidade desgraçada, se não tu própria e os teus? Para quando o abanão, o grito e o clamor de que o teu nome veio antes de Portugal? Agarra as tuas gentes e prende-nos, amarra-nos a ti, mesmo que o mar nos engula. Prende-me, ó cidade suja e perdida, porque é assim que me sinto, do alto dos Clérigos, do fundo dos Aliados, a olhar para o rio, à espera do comboio, no (extinto) Palácio de Cristal, em toda a parte em ti, pequeno como um fungo, agarrado a ti como um cogumelo! E daqui nunca sairei! Antes a morte!

14 de Fev de 2009

Esse elástico branco com riscas pretas

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Tens um elástico no cabelo, a apanhá-lo num rabo-de-cavalo. Branco, com riscas pretas. O elástico, claro. Não sei de que cor é o cabelo, ainda não o vi. A dos olhos também não, nem da pele. Gosto do teu corpo, inevitavelmente. Gosto do teu toque, incontestavelmente. Tu sabes disso, obviamente. Olho para ti, sentada em frente a mim. Gosto mesmo do teu corpo, apesar de ainda não saber como é. Pouso uma mão no teu ombro, no pescoço, na nuca. Com a outra, toco-te na anca, na barriga, num seio. Tu sorris, com lábios e dentes que ainda não vi, e os teus olhos brilham, de uma forma que não conheço. Ficas com aquela expressão que ainda tenho de descobrir. Os teus lábios e saliva sabem a algo que desconheço. Não sei o teu nome, mas vou gostar de to dizer, ao ouvido, baixinho, enquanto fazemos amor. Vou delirar com o teu calor, o teu suor, o movimento do teu corpo. Vou olhar-te nos olhos, curvar-te para trás e beijar-te o peito. Vou… Vou ter de procurar-te por aí. Como é que tu te chamas mesmo?

Divagações, pois claro!

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Despacho halls, mel e limão, como se tivesse cinco anos e estivesse a comer sugus. Já nem sei se os comia, se os chupava, mas não interessa, passemos só a publicidade. O meu primeiro chocolate, daquelas barras individuais, foi o lion. Adorava chupa-chupas, rebuçados de mentol para a tosse e, claro, os inevitáveis sugus. Agora despacho halls, mel e limão, como se não houvesse amanhã. Vou trincando os cantos, arrancando pedacinhos que depois desfaço com os dentes da frente e separo o resto num dos lados da boca, ao ponto de quase adormecer a bochecha com a doçura. Quando trabalho, masco pastilhas elásticas, umas a seguir às outras, às vezes duas ao mesmo tempo, o sabor costuma ser indiferente. Chego ao ponto de me doer o maxilar. Em pequeno, era raro mascar, não me deixavam. Acordava cedo e via desenhos animados a manhã toda ou ia para a escola, esconder-me pelos cantos ou fazer rabiscos na terra e fingir que era o crocodile dundee a identificar os rastos de animais selvagens. Lembro-me que as cobras eram às ondas, os crocodilos arrastavam e as bicicletas deixavam furos no chão. A bicicleta, esse animal feroz. Já vou no segundo halls desde que comecei a escrever este texto. Não cresci nos cinco minutos que demorei a trincar o primeiro. Podia estar a ver wrestling, a novela para homens, como disse uma amiga (distante) minha. Podia ser isso os meus novos desenhos animados. Podia estar a ler bd, como ainda faço e como fazia em não tão pequeno, mais a puxar para o adolescente. Lembro-me que o meu primeiro livro de bd de super-heróis foi um do wolverine, numa luta sangrenta com o sabretooth, traduzida para o “brasileiro”. Tinha 13 anos e estava no Algarve. Ainda leio esse tipo de bd (e ZITS), mas agora em “americano”, sacado directamente da fonte todas as semanas. Sou maluco, já não sou pequeno. Continuo a adorar os playmobil. Já não vejo tantos desenhos animados, já não sou tão pequeno. Os meus desenhos animados agora são o cheque que me chega no correio, a transferência bancária, o dinheiro vivo em mão. Os meus desenhos animados são os livros, os filmes, as músicas, as mulheres, os amigos. E o trabalho. O estupor e inevitável trabalho. E vou para o terceiro halls. Já não sou pequeno. Continuo a não fazer sentido, mas já não sou pequeno. Acho que vou chamar a esta coisa “divagações”.

Boa noite. Quer ajudar-me a mudar o mundo?

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I guess it's hard for people who are so used to things the way they are - even if they're bad - to change. 'Cause they kind of give up. And when they do, everybody kind of loses.

Nesta ponte, a vontade de dar um passo em frente ergue-se aos céus. Um passo em frente, vários metros em queda livre, completamente desamparada, e tudo acaba. Quem sou eu? Não sei, em breve poderei ser ninguém. Os carros passam por mim e ninguém pára. Não há um “mas”, apenas um “e”. “E” ninguém pára. Não sou invisível, sou uma pessoa, alguém que poderia perfeitamente ir num destes carros que não param. Eu também não pararia. Fecho os olhos e inspiro fundo, a cabeça a cair para trás. Não está a chover, não há nevoeiro, como em tantas outras noites na Arrábida, esse fumo húmido espesso que não deixa ver as luzes do Porto. “E” ninguém pára. Abro os braços, como se clamasse, como se quisesse voar, mas a pique, para acabar num splash no Douro. Splash. Um grande e pesado e sonoro… splash. Lembro-me do Trevor. Lembro-me dessa criatura do cinema, pura e inocente, que mudou o mundo. Mas também me lembro do Tyler. Ele mudou o meu mundo. Ou talvez só tenha soprado o nevoeiro para longe. Ninguém pára, you have to consider the possibility that god does not like you. Mas se ninguém pára, o que estou aqui a fazer? Saltar e não ser visto? Morrer sem valor, sem fazer com que alguém saiba por que morro? Morrer sem mudar o mundo, sem mudar o mundo de alguém? Desço do parapeito e aproximo-me da estrada. Se me atirasse para debaixo de um carro, não, de um autocarro, vários carros parariam. “E” talvez mudasse o mundo deles. “E” talvez soubessem por que o fiz. “Mas”… Passo pelos rails. Estou a pedir boleia. Vou mudar o mundo. Bem… “talvez” vá mudar o mundo. Um carro de cada vez. “E”… alguém pára. Numa ponte.

– Boa noite, ia atirar-me, mas mudei de ideias. Quer ajudar-me a mudar o mundo?

30 de Jan de 2009

VINHAS À ESPERA DE ENCONTRAR UM POST NOVO?!?!?!

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AH! Totó...

30 de Dez de 2008

Shh...

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“O coração morre. Uma morte lenta... Deixando cair cada esperança, como folhas... até que um dia já não há nenhuma. Nenhuma esperança. Nada resta.” A cidade parou, por um momento, neste Outono de sentimentos. O passo, lento e incerto, hesitante, pouco demorou a deter-se, a perceber a ausência de carros e pessoas, de animais que fossem. Vi-me só, por uns minutos. Nada… Parado, no meio da rua… A mochila às costas e nada… Nem um ruído para me despertar, um rosto para reconhecer, uma mão para segurar. Nada restava. Nenhuma esperança. Só o vento para empurrar as folhas do chão. Vi-me só, por uns minutos. Onde o reboliço, onde a confusão e o ruído, onde a marcha incessante de carros e fumo e passos, onde? Soltei o espanto… Um murmúrio que se diluiu com o ulular do vento. Olhei para as mãos, como tantas vezes em pequeno, sem saber o que procurava. Nada. Ninguém. Vi-me sozinho. Vejo-me sozinho. Neste sol frio, de luz pálida e cortante, eis-me sozinho, de mochila às costas. Para onde?
Em frente. Algo haverá numa outra rua…

15 de Out de 2008

FILHOS DA PUT@!!!

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Alguém me pode explicar o que são as "despesas de manutenção" de um banco? E em que consistem, para cobrarem cerca de 50 euros por ano? Será que os computadores e o código binário (deve ser...) que constitui o meu saldo ganham assim tanto pó que tenham de ser limpos de três em três meses pela módica quantia de 13 euros? Olhem, vão à merdinha, sim? Então agora com a treta de cobrarem comissão por uso do multibanco (pelos vistos, as caixas automáticas de multibanco queixam-se de que são mal pagas, coitadas das máquinas que poupam tempo e trabalho aos funcionários dos balcões...), parece que andam a ver se arranjamos um colchãozinho novo, mais baixo, para guardar lá todo o dinheiro!
Alguém tem conta em banco que não cobre estas porcarias? Parece que o Best não cobra, mas não conheço minimamente a qualidade do serviço...

27 de Ago de 2008

Esqueci

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Esqueci-me do que ia dizer de manhã. Ou quis esquecer. Virei-me e não vi lá ninguém. Como me apeteceu abraçar-te… Enfim, não estavas comigo. Estavas do lado de fora da janela, mas não suspensa, à espera que abrisse a vidraça. Estavas longe, muito longe e a única prova da tua existência era o cheiro da camisa que usaste comigo e que ainda não tive coragem de pôr a lavar. Queria abrir os olhos e ver-te ao meu lado, queria que fosses tu que eu abraço e não esta almofada grande que comprei para te imitar. Queria tanto e acabo por ter tão pouco. O vento sopra-me o cabelo, são os teus dedos a afagar-me. Deito-me. Por agora, pouco mais me resta do que a vontade. Quero muito estar contigo.

18 de Jun de 2008

nada

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Diz-me, lua amarela, o que é feito de roma? Destruiu-se? Caiu? Perdeu-se no emaranhado da fragilidade humana? Diz-me, lua, estou cansado, mal ergo os braços, quanto mais a cabeça para olhar do outro lado da montanha. Ainda há roma?

18 de Mai de 2008

O último acto

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O último acto é uma expressão já demasiado gasta, é verdade. Ainda assim, adequa-se terrivelmente. O sr. António, dono solitário do Actos, vai fechar as portas no final deste mês. Para quem não conhece, o Actos é um salão de chá, a puxar para o desconhecido, perto do Teatro de Carlos Alberto. Para os que conhecem, sim, é verdade, o Actos vai MESMO fechar, depois de 25 anos de existência. O Toni, como lhe chamo em segredo, riu a bom rir quando exclamei que tenho 26 anos. Devem entender o meu espanto. Daqui por duas semanas, acaba-se. É o fim do subir as escadas ao lado do Moinho, do tocar à campainha já a ouvir a música a tocar do outro lado da porta, do “Então, bem dispostos?” que o sr. António diz sem falhar enquanto estende uma mão em cumprimento. É o fim das 3 salas, ainda que só duas funcionem, das mesas altas cujo topo sai e serve de tabuleiro, das mesas baixas em vidro com cadeiras que deixam “os tomates junto ao chão como nunca tive” (uma das inúmeras frases poéticas que de lá saíram…). É o fim do delicioso bolo de bolacha, do refrescante cheesecake de frutos silvestres e do bolo de chocolate com demasiado chocolate, do chá Tropical Ice (um brinde do Estranho se descobrirem que sabor é), do chá de rooibos, que “está esgotado”, que “se esqueceu de comprar”, que por fim “tenho, mas só arranjei com baunilha, não te importas?”. É o fim das paredes pintadas em tons de salmão, das exposições de estudantes de pintura, dos candeeiros de lava coloridos, da pianola estragada e eternamente à venda, do balcão preto feito pelo próprio Toni. Basicamente, é o fim dos rituais de quinta-feira à noite e tudo por causa do fim de um contrato de arrendamento e da proposta de um novo contrato pelo dobro do valor... Vou tentar ir lá mais vezes nestas duas últimas semanas, quem sabe até comprar uma cadeira e uma mesa, se o saldo deixar, saborear tudo o que é aquele salão de chá pouco frequentado. Tenho a certeza que o sr. António agradece se mais gente lá aparecer, desconhecidos ou velhos conhecidos, portanto, todos ao Actos!!! 25 anos sempre são uma vida…

15 de Mai de 2008

Redhead

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Red haired women are fascinating. I mean, imagine a guy sitting, drinking, whatever. And then he sees a red hair. He starts thinking “wow, her hair is red… it’s not blonde and it certainly isn’t black. It’s brown, ok, but not just any kind of brown. It’s red. Light red or dark red, but it's red.” And then the guy starts thinking “I want to touch her hair. I want to kiss her lips and feel her breasts.” And when his eyes look down on her and he sees a big tuft of red hair, he thinks “wow, that’s red too… Why is it red? How is it red?” And finally the last thing he thinks is “I want to be inside that tuft of red hair. I want to be inside her sweet, warm, red tuft of hair and not come out ever again. I want to stay in there for as long as I possibly can, inside her redness, touching her red hair, and kissing her lips, and feeling her breasts.” And he stays there. Because red women are fascinating.

5 de Mai de 2008

sou todas as coisas

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Olho-me ao espelho de relance, passo a mão pelo cabelo numa espécie de pentear que não o chega a ser. Aperto o casaco e saio para o frio, sem medo. Caminho, quase a galope, pelas estradas de paralelo que conheço desde pequeno. Avanço, subo, escalo quando é preciso. A cidade não é grande e está ao longe, vejo-a, as suas luzes a fingirem que são estrelas que caíram ao chão e continuaram a brilhar. Debruço-me no muro, por um momento. Imagino casais atrás daquelas luzes, invado-lhes a privacidade, por um momento. Sou o quarto de paredes brancas. Sou a luz que arde. Sou a cama que abana. Sou os lençóis que se encharcam. Por um momento. Sou o casal. Sou o penetrador e o penetrado. Sou o corpo que empurra para a frente e o que é empurrado. Sou o casal, aqui, por um momento. Sou a minha mão que me toca, sou a minha boca que me beija, sou o meu pénis que me penetra, uma e outra e outra vez. Sou a minha saliva que me escorre pela pele. Sou eu que me venho, em uníssono, sozinho, feliz, insatisfeito. Sou eu que pouso a cabeça no meu peito ofegante, sou eu que adormeço aninhado nos meus braços, sou eu que sussurro com os olhos

amo-te.

Sacudo a cabeça, encostado ao muro. Inspiro fundo, de olhos fechados, e seguro o sopro. O ar gasto queima-me os pulmões, a cara arde a vermelho. Com os olhos abertos, nos casais, nas luzes, solto um

amo-te

ao vento. Sorrio e retomo a marcha. Regresso a casa.

1 de Mai de 2008

A perda de um dente

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Não sei se haverá estudo psicológico para lidar com esta perda. É possível que não haja, não tem o peso de perder um braço ou uma perna, nunca se ouviu falar em doentes que sentissem um dente fantasma que mastigava em conjunto com os reais. Ainda assim… a perda de um dente magoa sempre, aliás, dói mesmo, consoante a habilidade do médico. O meu dentista, desde pequeno, é o Xotôr José Luís de Freitas, nunca mais ninguém me mexeu na boca, pelo menos para tratar de dentes (sim, conotação sensual estranhamente desajustada quando se fala de um dentista homem…) e nunca tive grandes queixas, mesmo quando teve de me arrancar um dente. Sim, falta-me um dente, o penúltimo do lado direito. É só um dente e não deveria ser traumático. Mas perdi-o. Tenho os outros dentes todos para mastigar, antes de o arrancar nem dava por ele, nem sequer pensava que me fosse fazer falta. Mas agora… todos os dias mastigo e todos os dias sinto a falta dele. Por vezes tento não pensar nisso, por vezes tento até não mastigar desse lado, mas sempre que a língua ou algum pedaço de comida lá passa… o vazio está lá.

Sinto a falta do meu dente.

É tão fácil fazer analogias que só a pessoa certa vai perceber.